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Melhor software de gestão para arquitetos: comparação 2026

Por André NicolauSoftware8 min de leitura

Para um gabinete de arquitetura em Portugal, a escolha costuma ficar entre ferramentas de gestão financeira do gabinete (OOTI, Monograph, BQE Core), ferramentas de obra (ArchiSnapper) e plataformas de gestão de projetos como o Vellum. Esta comparação usa os preços e as funcionalidades publicados nos sites oficiais em outubro de 2026 — e diz quando o Vellum, que é o produto que fazemos, não é a escolha certa.

O que comparar antes de escolher?

Antes de olhar para nomes, vale a pena saber que problema quer resolver. Estes critérios separam uma boa decisão de uma frustração ao fim de três meses:

  • Fases de projeto. O processo de um gabinete português — programa base, estudo prévio, anteprojeto, licenciamento, projeto de execução — tem de caber na ferramenta sem ser traduzido para "sprints" genéricos.
  • Ficheiros ligados às fases. Uma pasta partilhada guarda ficheiros; não sabe a que fase pertencem nem quem os aprovou. O que interessa é saber, com data e autor, o que foi entregue em cada fase.
  • O cliente. Um portal onde o dono da obra acompanha o projeto e aprova entregáveis poupa telefonemas e deixa registo.
  • A língua. Uma ferramenta que a equipa não usa em português é uma ferramenta que parte da equipa não usa.
  • Preço e IVA. Preço público, por utilizador, que escale com o gabinete — e atenção a mínimos de lugares, módulos pagos à parte e IVA.
  • Onde ficam os dados. Os projetos incluem dados pessoais dos clientes: confirme em que países ficam e quem os trata.
  • O que fica de fora. Nenhuma ferramenta faz tudo. Saber se a faturação, o registo de horas ou a visualização de desenhos ficam noutra ferramenta evita surpresas depois de migrar.

Comparação lado a lado

FerramentaFocoPreço publicado*Interface em portuguêsPortal do clienteFicheiros CAD
OOTIHonorários, planeamento, tempos e faturação do gabinetePro: 39 €/colaborador/mês, para menos de 5 pessoas; Agencies: desde 160–174 €/mês, sob consultaNão indicadoNão indicadoNão indicado — não se apresenta como ferramenta de ficheiros
MonographGestão do gabinete para arquitetura e engenharia (EUA)Sem tabela: a calculadora mostra 600–750 $/mês para 10 pessoas; só anual, mínimo de 5 lugaresNão — só inglêsSim — conta gratuita do cliente (projetos, faturas, pagamentos)Carregamentos até 50 MB; Google Drive e OneDrive com extra pago
BQE CoreGestão do gabinete e contabilidade de projetosSob consulta (por utilizador, mais módulos)Não indicadoNão indicado — página para pagar faturas; acessos limitados pagosAnexos, ligações a Dropbox, Drive, OneDrive e Box, registo de desenhos
ArchiSnapper (Deltek)Relatórios de obra e listas de pendentes, no telemóvelSob consulta; teste de 14 diasNão indicadoNão indicado — ligações de partilha e contas de feedback para terceirosPlantas em PDF, para anotar em obra
VellumProjetos por fases, ficheiros com revisão e portal do clienteFree 0 €; Core 32 € e Professional 48 € por lugar/mês; IVA não aplicávelSimSim — no Core e no Professional, com aprovação ficheiro a ficheiroDWG, DXF, RVT, IFC, SKP e outros, até 500 MB, por fase

* Consultado nos sites oficiais de cada fornecedor a 13 e 14 de outubro de 2026. Os preços da OOTI excluem impostos; "não indicado" quer dizer que o site oficial não o diz, não que a funcionalidade não existe. Os preços mudam: confirme sempre na página de cada fornecedor (ligações no fim do artigo).

OOTI

A OOTI é um software francês de gestão para gabinetes de arquitetura e de engenharia: angariação, projetos e fases, planeamento da equipa, tempos, orçamentos e faturação. Segundo o próprio blog da OOTI, foi comprada pela Milient Software.

O ponto forte é a parte financeira: faturar por fase, incluir honorários, gerir os outros gabinetes que partilham o contrato e enviar faturas em PDF com a imagem do gabinete. A página de preços mostra o plano Pro a 39 € por colaborador e por mês (sem impostos), para gabinetes com menos de 5 pessoas, e o plano Agencies a partir de 160 € ou 174 € por mês — a própria página mostra os dois valores —, com utilizadores adicionais a partir de 14 €. Há 14 dias grátis, sem cartão.

O site oficial não descreve um portal do cliente, não apresenta a OOTI como ferramenta de ficheiros e não indica se a interface existe em português; o centro de ajuda está em inglês e francês.

Indicada para: gabinetes que querem controlar honorários, tempos e faturação por fase.

Monograph

O Monograph é um software norte-americano de gestão para gabinetes de arquitetura e de engenharia: propostas, planeamento de projetos, alocação da equipa, registo de tempos, faturação e relatórios.

Tem um ponto que interessa a quem trabalha com clientes exigentes: o cliente pode criar uma conta gratuita para ver os seus projetos, faturas e pagamentos, e assinar propostas. Em contrapartida, o produto existe só em inglês — o centro de ajuda diz que a língua não pode ser alterada. Os ficheiros carregam-se até 50 MB cada, e a ligação ao Google Drive ou ao OneDrive faz parte de um extra pago; o site não descreve nada específico para DWG ou Revit.

O preço não tem tabela: a calculadora do site mostra 600–750 $ por mês para 10 pessoas. O plano atual, Grow, é só anual e inclui no mínimo 5 lugares; o módulo de angariação (Pipeline) é vendido à parte.

Indicado para: gabinetes que trabalham em inglês e querem planeamento da equipa e faturação no mesmo sítio.

BQE Core

O BQE Core é uma plataforma de gestão do gabinete e de contabilidade de projetos para arquitetura e engenharia: tempos e despesas, faturação, gestão de projetos e relatórios, com módulos opcionais de contabilidade, CRM, recursos humanos e processamento salarial — este último só para empresas dos EUA.

O preço não é publicado: é por utilizador, mais os módulos que escolher, e obtém-se pedindo uma proposta. Do lado do cliente, o BQE Core oferece uma página para pagar faturas e, opcionalmente, acessos limitados — pagos — para aprovar folhas de horas; os painéis não podem ser partilhados com clientes. Os documentos anexam-se aos registos ou ligam-se ao Dropbox, Google Drive, OneDrive e Box, com 5 GB incluídos e um ecrã para registar desenhos do projeto.

Indicado para: gabinetes maiores que precisam de contabilidade de projetos e de faturação detalhada.

ArchiSnapper (Deltek)

O ArchiSnapper é uma aplicação para o telemóvel, hoje vendida como Deltek ArchiSnapper: serve para visitas de obra, relatórios e listas de pendentes. Na obra, tira fotografias, anota plantas em PDF, regista observações e envia relatórios em PDF com a imagem do gabinete.

É uma ferramenta de obra, não de gestão do gabinete. Os empreiteiros e outros intervenientes recebem ligações de leitura sem conta, ou uma conta gratuita para responder aos pontos que lhes foram atribuídos. O site oficial não publica preços: há um teste de 14 dias sem cartão.

Indicado para: complementar outra ferramenta nas visitas de obra e no fecho de pendentes.

Vellum Architecture

O Vellum é o produto que fazemos, por isso leia esta secção com essa nota em mente. É uma plataforma de gestão de projetos feita para gabinetes portugueses: projetos que avançam por fases definidas em tipos de projeto, ficheiros organizados por fase — DWG, DXF, RVT, IFC, SKP e outros, até 500 MB — com revisão ficheiro a ficheiro, um portal do cliente onde o dono da obra acompanha as fases e aprova entregáveis, calendário e estatísticas. A interface está em português de Portugal.

Os preços são públicos — os atuais estão na página de preços, e os de outubro de 2026 na tabela acima: o plano Free é gratuito e não expira, o Core e o Professional são cobrados por lugar e por mês, e não há IVA a acrescentar (isenção ao abrigo do art. 53.º do CIVA). O Core e o Professional têm 14 dias grátis, sem cartão. Os ficheiros ficam em Londres e a base de dados em Frankfurt; a página Segurança e dados lista todos os fornecedores. Veja as funcionalidades em detalhe.

E o Excel?

Uma folha de cálculo é gratuita, flexível e já está instalada — e para um gabinete com três ou quatro projetos em curso chega perfeitamente. O limite aparece com o crescimento: a folha não guarda ficheiros, não regista aprovações e fica desatualizada no momento em que alguém se esquece de a atualizar. Os sinais de que chegou a hora de mudar estão no nosso guia de gestão de projetos de arquitetura.

Quando não escolher o Vellum?

O Vellum não é a escolha certa se precisar, dentro da mesma ferramenta, de alguma destas coisas:

  • Faturação certificada pela AT. O Vellum não emite faturas; continua a precisar de um programa de faturação certificado.
  • Registo de horas para medir a rentabilidade de cada projeto — ferramentas como a OOTI, o Monograph e o BQE Core tratam disso.
  • Ver ou anotar desenhos e modelos CAD/BIM no navegador. O Vellum guarda e organiza os ficheiros, mas abrem-se no software de cada pessoa.
  • Permissões por projeto ou por escritório. No Vellum, toda a equipa vê todos os projetos da empresa.
  • Verificação em dois passos no início de sessão, se a sua política de segurança o exigir.

Checklist de decisão

Antes de assinar seja o que for, confirme:

  1. Consigo reproduzir as fases reais dos meus projetos?
  2. Os ficheiros ficam ligados a projetos e fases, com revisão registada?
  3. O cliente tem uma vista própria, limitada ao que lhe cabe aprovar?
  4. A interface está em português para toda a equipa?
  5. O preço é público, com IVA claro, e escala com o gabinete — sem mínimos de lugares que não preciso?
  6. Consigo experimentar sem cartão de crédito?
  7. Sei onde ficam os dados e quem os trata?
  8. A faturação e o registo de horas ficam nesta ferramenta ou noutra — e isso serve-me?

Fontes

Consultadas a 13 e 14 de outubro de 2026: